Domingo, Agosto 03, 2003
Ó Céus. Estou mesmo ficando velha...



Sou do tempo da Mesbla, do Chacrinha, da Mara Maravilha, do Clube do Bolinha (Bolinha, Bolinha... está na hora de você entrar na linha...), da Vovó Mafalda, Papai Papudo (_Que horas são criançada?? Ciiiinco e sesseeeeeentaaaaa!!!!!!!), do Fofão, Bozo (dizendo: _ Alô alô criançada, o Bozo chegou... trazendo alegria, pra você e o vovoô!), episódios inéditos de castelo ratimbum (_bum bum bum, castale ratimbum!), Glub Glub (sim, aquele programa idiota dos peixes com cara de gente), do snoopy... sou também da época em que Atari era a sensação do momento, o vídeo game in voga, aliás até essa expressão é antiga!!
Ö Deus! As gírias “palha e massa” estavam na boca da garotada. Vira e mexe me vejo pensando: no meu tempo isso era assim.... até onde isso vai parar?
Lembra quando balançávamos (2º pessoa para quem tem cerca de 20...) os ombros acompanhado de um leve desdobramento dos lábios para baixo, dizendo:
_ Nem queria mesmo...ó... (balança os ombros), tô pouco me lixando!
Ou: _iihhh... vou contar para a minha mãe... (balançando rapidamente as mãos na altura do peito com o dedo indicador um pouco levantado)
Ou ainda:
_ Ah, a bola é minha... se eu não jogar, não empresto!
_tá bom vai... então ele é café com leite!! (diziam os mais velhos, interessados na sua bola)
Então você ia feliz da vida jogar, e podia fazer o que quisesse no jogo, e os mais velhos tinham que aturar, afinal: você era o dono da bola, literalmente.

Sou do tempo do pular elástico, do brincar no quintal, do sujar de terra, do subir em árvore, do roubar galinha da vizinha (é... já tentei fazer isso, mas uma mulher de camisola azul e cheia de bobs nos cabelos veio atrás de mim gritando: você quer matar meus corações!!!!) e do carrinho de rolimã!!! Lembra? Aquela de descer um ligeiro morro num carrinho de madeira com uma madeira guia na frente?

Daqui a um tempo Roberto Carlos e Silvio Santos morrem... e me verei falando mal deles numa roda de garotos de 15 anos e eles olharão para mim da mesma forma distante com que eu olhava quem falava de pessoas cafonas que já morreram. Não prestava muita atenção, só via aquilo como uma sessão nostalgia de alguém mais velho. Isso vai servir pra me distanciar dos mais jovens. Afinal: eu sou do tempo em que Roberto Carlos, com aquele cabelo ralo e ridículo que cantava músicas cafonas falando de mulher gorda e mulheres de óculos, fazia maior sucesso; e Silvio Santos fazia programas ainda mais cafonas para pessoas ignorantes que compravam seus produtos para concorrer a uma estúpida participação em um estúpido programa seu.

por Valkiria 12:07

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