A cada dia que passa percebo o quanto estou ficando velha.
Se um dia eu tiver filhos vou poder dizer: Sou do tempo do álbum de fotografias!
Mas também poderei dizer que faço parte do tempo em que recordações são guardadas em pequenos discos com mais ou menos 5 cm de raio. Como é bom estar no meio das mudanças e guardar o melhor de cada uma. Digo recordações(e aí não me limito apenas às fotografias) porque já não são mais grandes cadernos de capa dura empoeirados e com folhas amareladas pelo tempo; podem guardar seus e-mails (as antigas cartas), fotografias (não apenas as suas, mas as de amigos e todas aquelas que nunca teria acesso se não fosse sua caixa de entrada do hotmail), imagens que te suscitam boas lembranças, cartões enviados por pessoas queridas (ou não tanto), seus escritos em diversos momentos da sua vida. Não importa se são recordações boas ou ruins, o importante é poder parar em um dado momento de sua vida, colocar aquele disquinho no CD-room e viajar no tempo... Isso, claro, se você for um nostálgico chorão como eu.
Mas ao contrário do que se possa imaginar eu não era daquelas que, na adolescência, guardava papel de Sonho de Valsa e de balas Juquinha, colando-os nas agendas (que ficavam como um pastel com muito recheio), ao lado de homens lindos e versos idiotas. Aliás, meu gosto pelas lembranças (não por lixo) só veio a despertar quando comecei a perceber que eu também estou envelhecendo (e, agora, em velocidade de proporções inimagináveis há pouquíssimos anos atrás) – não só os outros (era a sensação que tinha quando mais jovem, há uns 2 anos atrás). E para isso o famoso – e mais surrado que mulher de bêbado – chavão se encaixa como uma luva (respire fundo e ponha a mão no coração): _ Basta nascer para começar a envelhecer (até rima!).
Ah, mas sou nostálgica demais para jogar fora aquele cadernão. Eu amo álbum de fotografias. Sou daquelas que não deixa as fotos digitais prediletas em um cd, faço questão de revelar e as colocar no bom e velho álbum empoeirado que se tornará também amarelado.